CERPCH - Centro Nacional de Referência em Pequenas Centrais Hidrelétricas
Hidráulica
1. A água
A água possui grande importância na vida, haja visto seus
múltiplos usos, bebida, cocção, higiene, agricultura, pecuária,
lazer, navegação e geração de eletricidade. Portanto, cabe ao
homem utiliza-la de forma consciente evitando que as próximas
gerações enfrentem a escassez deste recurso.
A água ocupa cerca de três quartos da superfície da Terra:
dos 510 milhões de km2 da superfície do globo 365 milhões de km2
são ocupados pela água, enquanto os continentes ocupam somente
145 milhões de km2.
De toda água existente no planeta 97,3% é água salgada, ou
seja, imprópria para o consumo, 2,15% encontra-se nas geleiras e
apenas 0,6 % é água doce. De toda água doce 98,5% é água
subterrânea e 1,5% se encontram nos rios e lagos, como mostra a
figura 1.
A distribuição da água no planeta é desigual, pois há regiões
com abundância de água e outras com grande escassez.
Conseqüentemente, os primeiros grupos humanos procuraram habitar
regiões com chuva suficiente ou próximos de rios garantindo,
assim, sua sobrevivência.
Com o rápido crescimento da população e com as exigências de
maior conforto, a água foi sendo usada de forma inconsciente,
isto é, com grandes desperdícios. Por isso, é importante
conhecer a melhor maneira de preserva-la, principalmente nas
nascentes, além dos cuidados com sua captação, transporte e
distribuição.
2. Energia Hidráulica
O uso da energia hidráulica foi uma das primeiras formas de
substituição do trabalho animal pelo mecânico, particularmente
para bombeamento de água e moagem de grãos. Tinha a seu favor,
para tanto, as seguintes características: disponibilidade de
recursos, facilidade de aproveitamento e, principalmente, seu
caráter renovável.
A energia hidráulica resulta da irradiação solar e da energia
potencial gravitacional, que provocam a evaporação, condensação
e precipitação da água sobre a superfície terrestre, é a energia
existente na água e que em determinadas condições de vazão e
altura de queda, pode ser usada para movimentar maquinas. Assim,
a energia hidráulica é convertida em energia mecânica.. Ao
contrário das demais fontes renováveis, representa uma parcela
significativa da matriz energética mundial e possui tecnologias
de aproveitamento devidamente consolidadas. Atualmente, é a
principal fonte geradora de energia elétrica para diversos
países e responde por cerca de 17% de toda a eletricidade gerada
no mundo.
No Brasil, água e energia têm uma histórica interdependência.
A contribuição da energia hidráulica ao desenvolvimento
econômico do País tem sido expressiva, seja no atendimento das
diversas demandas da economia – atividades industriais,
agrícolas, comerciais e de serviços – ou da própria sociedade,
seja na melhoria do conforto das habitações e da qualidade de
vida das pessoas. Também desempenha papel importante na
integração e no desenvolvimento de regiões distantes dos grandes
centros urbanos e industriais.
A contribuição da energia hidráulica na matriz energética
nacional, é da ordem de 79 % de toda a energia elétrica gerada
no País. Apesar da tendência de aumento de outras fontes, devido
a restrições socioeconômicas e ambientais de projetos
hidrelétricos e aos avanços tecnológicos no aproveitamento de
fontes não-convencionais, tudo indica que a energia hidráulica
continuará sendo, por muitos anos, a principal fonte geradora de
energia elétrica do Brasil. Embora os maiores potenciais
remanescentes estejam localizados em regiões com fortes
restrições ambientais e distantes dos principais centros
consumidores, estima-se que, nos próximos anos, pelo menos 50%
da necessidade de expansão da capacidade de geração seja de
origem hídrica.
As políticas de estímulo à geração descentralizada de energia
elétrica promovem uma crescente participação de fontes
alternativas na matriz energética nacional, e nesse contexto, as
pequenas centrais hidrelétricas terão certamente um papel
importante a desempenhar.
3. Vazão
É a relação do volume de água medida em litros ou metros
cúbicos pelo tempo em segundos, minutos ou horas, necessários
para encher um reservatório como: tanque, tambor, caixa d´agua,
etc.
A vazão é representada pela letra Q e pode ser calculada
através da formula:
Q = v/t
onde :
Q = Vazão em metros cúbicos por segundo
v = Volume do reservatório
t = tempo
Esta definição de vazão se aplica a qualquer fluxo de água.
Para se medir a vazão basta se utilizar uma mangueira conectada
a um funil, um reservatório de um litro e um relógio ou
cronômetro. Em seguida, marca-se o tempo que a água leva para
preencher o reservatório. Para encontrar a vazão basta dividir o
volume pelo tempo gasto para preencher o reservatório.
Em qualquer estudo para implementação de uma usina a medição
da vazão é fundamental para se dimensionar o potencial da
planta.
4. Altura de queda d’água local
Ao utilizar a energia hidráulica do rio, no acionamento de
máquinas para bombeamento ou geração de eletricidade, é
importante verificar se há uma diferença entre a altura do ponto
de captação da água e o local onde será instalado o equipamento
hidráulico. Essa altura é definida como altura de queda [H].
5. Máquinas acionadas pela água
A energia proveniente dos cursos d’água, pode ser aproveitada
para acionar vários tipos de máquinas que desempenham diferentes
funções, tais como:
? monjolo – máquina usada na moagem dos grãos similar ao
pilão;
? carneiro hidráulico – máquina que funciona como uma bomba;
? roda d’água – máquina usada para bombear água e, também,
para gerar energia elétrica em pequena quantidade;
? turbina hidráulica – máquina usada em centrais
hidrelétricas e que acoplada a um gerador transforma a energia
mecânica em elétrica.
Para aciona-las é necessário realizar estudos técnicos para a
criação de reservatórios ou pequenos canais com a finalidade de
acumular e desviar parte da água dos rios.
6. Monjolo
O monjolo é simples de construir, pois pode ser feito com
tronco de madeira.
Deve ser colocado num local onde exista altura de queda
suficiente para instalar uma calha, cuja função é captar e
desviar parte do fluxo de água para dentro de uma caçamba que
funciona como um reservatório.
Na medida que este reservatório é preenchido, o peso da água
vence o peso do tronco fazendo levantar a outra extremidade.
Neste momento, parte da água é jogada fora e como o peso da água
restante no reservatório é menor do que o peso do tronco, o
mesmo retorna a posição inicial com força suficiente para moagem
dos grãos que estarão dentro de um pilão
7. Carneiro Hidráulico
O carneiro hidráulico é uma máquina de baixo custo, usada
para bombear pequena quantidade de água. Apresenta facilidade de
uso e tem pouca manutenção.
Para funcioná-lo não há necessidade de energia elétrica ou
qualquer combustível, pois utiliza como energia a própria queda
d’água. As únicas peças que podem sofrer desgastes com o tempo
são: a válvula de impulso e de recalque devendo ser trocadas.
É capaz de aproveitar o efeito que decorre da interrupção
rápida do movimento da água, em uma dada direção. Com esta
interrupção, ocorre um aumento da pressão dentro da máquina
sendo suficiente para abrir a válvula de recalque, pela qual
parte da água é transportada por uma mangueira até um
reservatório localizado acima do carneiro hidráulico.
8 . Roda d’ água
O uso das rodas d’água é muito antigo. Data-se que em 2.000
a.C, no Egito, já era utilizada para bombeamento. A princípio
tinha a estrutura feita de madeira rústica e baldes presos a
essa estrutura formando as caçambas. Com o avanço da tecnologia
essa estrutura foi aperfeiçoada até chegar nos modelos atuais.
O funcionamento se dá por causa de um desvio do fluxo de água
local que é levado até a roda. Para fazer esse desvio pode-se
usar tubo de PVC, chapas de aço galvanizado, calha de madeira ou
alvenaria com altura de 10 a 20cm do topo da roda para que a
água ao cair sobre as pás possibilite seu giro.
A velocidade de rotação é muito baixa, isto é, de 1 a 40
giros por minuto, mas mesmo assim pode ser utilizada para
movimentar moinhos, serrarias; gerar eletricidade (100 a 3000
Watts) e bombear água a um reservatório.
Deve ser instalada sobre uma base de madeira, tijolo ou
concreto e bem nivelada para que tenha um bom funcionamento.
9. Turbinas Hidráulicas
Nas centrais hidrelétricas os grupos geradores são
constituídos pelo conjunto de turbina (rotor mais caixa
espiral), regulador de velocidade ou de carga e gerador. As
turbinas são caracterizadas por diferentes tipos de rotores.
As turbinas são especificadas em função da potência elétrica
a ser gerada, podendo ter eixo horizontal para pequenas
potências ou eixo vertical para potências elevadas.
Em microcentrais hidrelétricas, as turbinas hidráulicas
utilizadas são construídas geralmente com eixo horizontal.
Dependendo das condições locais de vazão e altura de queda, uma
turbina pode mais eficiente que a outra. Assim, torna-se
necessário avaliar tecnicamente e economicamente a melhor
opção.(* incluir linkTurbinas)
10. Potencial Hidrelétrico Brasileiro
O valor do potencial hidrelétrico brasileiro é composto pela
soma da parcela estimada (remanescente + individualizada) com a
inventariada. O potencial estimado é resultante da somatória dos
estudos:
• De potencial remanescente - resultado de estimativa
realizada em escritório,a partir de dados existentes - sem
qualquer levantamento complementar - considerando-se um trecho
de um curso d’água, via de regra situado na cabeceira, sem
determinar o local de implantação do aproveitamento;
• Individualizados - resultado de estimativa realizada em
escritório para um determinado local, a partir de dados
existentes ou levantamentos expeditos, sem qualquer levantamento
detalhado. A parcela inventariada inclui usinas em diferentes
níveis de estudos - inventário, viabilidade e projeto básico -
além de aproveitamentos em construção e operação (ELETROBRÁS,
2004).
O potencial inventariado é resultante da somatória dos
aproveitamentos:
• Apenas em inventário - resultado de estudo da bacia
hidrográfica, realizado para a determinação do seu potencial
hidrelétrico, mediante a escolha da melhor alternativa de
divisão de queda, que constitui o conjunto de aproveitamentos
compatíveis, entre si e com projetos desenvolvidos, de forma a
se obter uma avaliação da energia disponível, dos impactos
ambientais e dos custos de implantação dos empreendimentos;
• Com estudo de viabilidade - resultado da concepção global
do aproveitamento, considerada sua otimização técnico-econômica,
de modo a permitir a elaboração dos documentos para licitação.
Esse estudo compreende o dimensionamento das estruturas
principais e das obras de infra-estrutura local e a definição da
respectiva área de influência, do uso múltiplo da água e dos
efeitos sobre o meio ambiente;
• Com projeto básico - aproveitamento detalhado e em
profundidade, com orçamento definido, que permita a elaboração
dos documentos de licitação das obras civis e do fornecimento
dos equipamentos eletromecânicos;
• Em construção - aproveitamento que teve suas obras
iniciadas, sem nenhuma unidade geradora em operação;
• Em operação - os empreendimentos em operação constituem a
capacidade instalada.
Os aproveitamentos somente são considerados para fins
estatísticos nos estágios “inventário”, “viabilidade” ou
“projeto básico”, se os respectivos estudos tiverem sido
aprovados pelo poder concedente.
O potencial hidrelétrico brasileiro situa-se ao redor de 260
GW. Contudo apenas 68% desse potencial foi inventariado . Entre
as bacias com maior potencial destacam-se as do Rio Amazonas e
do Rio Paraná. Na Bacia do Amazonas, destaca-se a sub-bacia do
Rio Xingu, com 12,7% do potencial inventariado no País. Outras
sub-bacias do Amazonas, cujos potenciais estimados são
consideráveis, são a do Rio Tapajós , a do Rio Madeira e a do
Rio Negro . Na Bacia do Tocantins, destaca-se a sub-bacia do Rio
Itacaiunas e outros, com 6,1% do potencial brasileiro
inventariado. Na Bacia do São Francisco, o destaque vai para a
sub-bacia do Rio Moxotó e Outros, que representa 9,9% do
potencial inventariado. Na Bacia do Paraná, existem várias
sub-bacias com grandes potenciais, entre elas a Paraná,
Paranapanema e outros, com 8,1% do potencial hidrelétrico
inventariado no País.
11. Capacidade Instalada
Em termos absolutos, os cinco maiores produtores de energia
hidrelétrica no mundo são Canadá, China, Brasil, Estados Unidos
e Rússia, respectivamente. Em 2001, esses países foram
responsáveis por quase 50% de toda a produção mundial de energia
hidrelétrica (AIE, 2003).
Pouco menos de 60% da capacidade hidrelétrica instalada no
Brasil está na Bacia do Rio Paraná. Outras bacias importantes
são a do SãoFrancisco e a do Tocantins, com 16% e 12%,
respectivamente, da capacidade instalada no País. As bacias com
menor potência instalada são as do Atlântico Norte/Nordeste e
Amazonas, que somam apenas 1,5% da capacidade instalada no
Brasil.
Na Bacia do Paraná, destacam-se as sub-bacias do Rio
Paranaíba, Rio Grande, Rio Paranapanema e Rio Iguaçu, com
índices que variam de 10,1% a 13,2% da capacidade instalada no
País. Na Bacia do São Francisco, destaca-se a sub-bacia dos rios
São Francisco, Moxotó e outros, onde estão localizadas as usinas
hidrelétricas de Xingó e Paulo Afonso IV, que somam juntas 5.460
MW de potência instalada. Na Bacia do Tocantins, destaca-se a
sub-bacia Rio Tocantins, Itacaiúnas e Outros, onde se localiza a
Usina Hidrelétrica de Tucuruí, cuja capacidade instalada poderá
ser duplicada num futuro próximo.
12. Referencia Bibliográfica
TIAGO FILHO, Geraldo Lúcio. Aproveitamento de Energia
Hidráulica, Grupo Agroenergia EFEI
Catálogo Rochefer. Bombas hidráulicas – Manual de Seleção de
Bombas e Rodas
Catálogo Rochefer. MS-6 Multiset, Manual Técnico
TIAGO FILHO, Geraldo Lúcio. Rodas d’água, Grupo Agroenergia –
DME –IEM – EFEI
TIAGO FILHO, Geraldo Lúcio. Turbinas hidráulicas para
microcentrais hidrelétricas, Grupo Agroenergia – EFEI
Catálogo Moller – Turbinas hidráulicas WIRZ Ltda
Fundição Corradi – Divisão de Máquinas Agrícolas, Roda Pelton
Completa
TIAGO FILHO, Geraldo Lúcio & VIANA, Augusto Nelson Carvalho.
Carneiro hidráulico, EFEI, 1988