1. Biomassa
Do ponto de vista energético, para fim de outorga de
empreendimentos do setor elétrico, biomassa é todo recurso renovável
oriundo de matéria orgânica (de origem animal ou vegetal) que pode
ser utilizada na produção de energia. Assim como a energia
hidráulica e outras fontes renováveis, a biomassa é uma forma
indireta de energia solar. A energia solar é convertida em energia
química, através da fotossíntese, base dos processos biológicos de
todos os seres vivos.
Essa energia química pode ser liberada diretamente por combustão, ou
convertida através de algum processo em outras fontes energéticas
como álcool e carvão vegetal. Aproveitando aproximadamente 1% do
total da radiação solar incidente sobre a Terra, estima-se que
anualmente sejam produzidas, pelo processo de fotossíntese, cerca de
220 x 109 toneladas de biomassa, o que equivale a a uma energia de 2
x 1015 MJ, ou seja mais que 10 vezes a energia global consumida por
ano no nosso planeta (SMIL,1985). O total da energia existente na
cobertura vegetal da Terra é estimado como sendo 100 vezes o consumo
atual de energia ao longo de um ano na Terra. Embora grande parte do
planeta esteja desprovida de florestas, a quantidade de biomassa
existente na terra é da ordem de dois trilhões de toneladas; o que
significa cerca de 400 toneladas per capita. Em termos energéticos,
isso corresponde a mais ou menos 3.000 EJ por ano, ou seja, oito
vezes o consumo mundial de energia primária (da ordem de 400 EJ por
ano) (RAMAGE; SCURLOCK, 1996).
Uma das principais vantagens da biomassa é que, embora de eficiência
reduzida, seu aproveitamento pode ser feito diretamente, por
intermédio da combustão em fornos, caldeiras, etc. Para aumentar a
eficiência do processo e reduzir impactos socioambientais, tem-se
desenvolvido e aperfeiçoado tecnologias de conversão mais
eficientes, como a gaseificação e a pirólise, também sendo comum a
co-geração em sistemas que utilizam a biomassa como fonte
energética.
A médio e longo prazo, a exaustão de fontes não-renováveis e as
pressões ambientalistas poderão acarretar maior aproveitamento
energético da biomassa. Atualmente, a biomassa vem sendo cada vez
mais utilizada na geração de eletricidade, principalmente em
sistemas de co-geração e no suprimento de eletricidade para demandas
isoladas da rede elétrica.
2.Tipos de Biomassa
Lenha: A lenha foi a primeira fonte energética usada pelo homem para
a obtenção do fogo que, conseqüentemente, passou a ser usado para
aquecer e iluminar o ambiente, para cozer alimentos e até mesmo
defender-se de animais ferozes.
O desenvolvimento das técnicas de combustão da lenha tornou-se a
base energética da civilização antiga, levando ao desenvolvimento de
atividades importantes, como: fabricação de vidro, fundição de
metais, cerâmica, etc.
A lenha tem grande importância na Matriz Energética Brasileira,
participando com cerca de 10% da produção de energia primária. A
lenha pode ser de origem nativa ou de reflorestamento.
Pode-se obter a lenha através do extrativismo vegetal de regiões
reflorestadas ou de mata nativa. É uma matéria-prima que está sendo
usada ainda hoje por, aproximadamente, metade da população da Terra
em lareiras, fornalhas, fogões a lenha, caldeiras em indústrias,
pois é uma fonte energética de baixo custo. Consequentemente tem
recebido a denominação de energia dos pobres por ser parte
significativa da base energética dos países em desenvolvimento,
chegando a representar até 95% da fonte de energia em vários países.
Nos países industrializados, a contribuição da lenha chega a um
máximo de 4%.
Cerca de 40% da lenha produzida no Brasil é transformada em carvão
vegetal. O setor residencial é o que mais consome lenha (29%),
depois do carvoejamento. Geralmente ela é destinada a cocção dos
alimentos nas regiões rurais. Uma família de 8 pessoas necessita de
aproximadamente 2 m3 de lenha por mês para preparar suas refeições.
O setor industrial vem em seguida com cerca de 23% do consumo. As
principais indústrias consumidoras de lenha no país são alimentícia
e de bebidas,além de cerâmicas, papel e celulose.
A mata nativa sempre foi uma fonte de lenha, que parecia
inesgotável, devido à quantidade gerada na ampliação da fronteira
agrícola. A forma devastadora com que ela foi explorada deixou o
país em situação crítica, em várias regiões onde existiam abundantes
coberturas florestais, no tocante à degradação do solo, alteração no
regime de chuvas e conseqüente desertificação. A substituição da
lenha de mata nativa por lenha de reflorestamento vem crescendo a
cada ano, sendo o eucalipto a principal árvore cultivada para este
fim. Além da madeira pinho, comumente usada porque possui baixa
quantidade de água em sua composição, caracterizando-se como boa
produtora de calor. A serragem e os cavacos (sobra das serrarias ou
do corte de madeiras) apresentam melhor combustão porque são
pequenos em relação aos troncos.
Na produção de lenha para fins comerciais, uma parte da árvore
(troncos e galhos finos) é rejeitada constituindo os resíduos
florestais. Além disso, as indústrias que usam a madeira para fins
não energéticos, como as serrarias e as indústrias de móveis,
produzem resíduos industriais como; pontas de toras, costaneiras e
serragem em diferentes tamanhos de partículas e densidade, que podem
ter aproveitamentos energéticos.
Carvão vegetal: O carvão vegetal é obtido pela queima da madeira em
fornos especiais, feitos de alvenaria, que atingem uma temperatura
média de 500ºC. Ao contrário do que aconteceu nos países
industrializados, no Brasil, o uso industrial do carvão vegetal
continua sendo largamente praticado. O Brasil é o maior produtor
mundial desse insumo energético, atendendo cerca de um quarto de
toda energia consumida nos altos fornos brasileiros. No setor
industrial (quase 85% do consumo), o ferro-gusa, aço e ferro-ligas
são os principais consumidores do carvão de lenha, que funciona como
redutor (coque vegetal) e energético ao mesmo tempo. O setor
residencial consome cerca de 9% seguido pelo setor comercial como as
churrascarias, pizzarias e padarias com 1,5%. É usado, também, nas
locomotivas a vapor ainda existentes em alguns lugares do
Brasil..30% desse carvão é obtido a partir de reflorestamento e 70%
vêm do desmatamento de grandes áreas do cerrado ao norte de Minas
Gerais, sul da Bahia, na região de Carajás no Pará e no Maranhão.
É importante notar que o rendimento em massa do carvão vegetal em
relação a lenha seca enfornada é de aproximadamente 25% nos fornos
de alvenaria.
Óleos vegetais: Dentro dos tecidos existentes nas folhas ou caule de
alguns vegetais, há uma substância oleosa que pode ser utilizada
para queimar. Também, pode-se obter essa substância de algumas
sementes que, ao passar por um processo mecânico de pressão, são
quebradas. Depois deste processo mecânico, é aplicado um processo
químico que usa um solvente líquido para extrair somente o óleo.
Posteriormente, esse óleo vai ser refinado, clarificado e
desodorizado perdendo, assim, o cheiro forte.
O Brasil dispõe de uma grande diversidade de espécies vegetais
oleaginosas das quais se pode extrair óleos para fins energéticos.
Algumas destas espécies são de ocorrência nativa (buriti, babaçu,
mamona, etc.), outras são de cultivo de ciclo curto (soja, amendoim,
etc.) e outras ainda de ciclo longo ou perene (dendê). Dentre eles
podemos citar: Abacate, Algodão, Amendoim, Coco, Dendê, Mamona,
Milho, Soja e Urucum.
Atualmente, estuda-se a possibilidade de substituir o diesel por
diferentes quantidades de óleo vegetal que representam uma
alternativa ao óleo diesel para uso em motores de combustão interna,
automotivos e estacionários. Principalmente a utilização do óleo de
mamona e dendê nos motores automotivos, contribuindo
significativamente, para a diminuição da poluição. Além dos aspectos
sócio econômicos implicados, pois esta prática poderá viabilizar o
desenvolvimento sustentável, em especial nas comunidades rurais.
Cana- de -açúcar: A cana-de-açúcar é originária da Ásia e foi
introduzida na América, por Cristóvão Colombo, em meados de 1492.
Historicamente, a cana de açúcar é um dos principais produtos
agrícolas do Brasil, sendo cultivada desde a época da colonização.
Afirma-se que coube a Martins Afonso de Souza a instalação do
primeiro engenho, na capitania de São Vicente - SP, no ano de 1533.
O segundo foi instalado em Pernambuco, por Jerônimo de Albuquerque,
em 1535. O Brasil é o segundo país do mundo com grandes canaviais,
abrange estados como: São Paulo, Paraná, Alagoas, Minas Gerais,
Pernambuco, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Rio de Janeiro e
Paraíba, ficando abaixo da Índia que ainda é o primeiro produtor
mundial de cana.
Devido à grandeza dos números do setor sucroalcooleiro no Brasil, a
cana-de-açúcar é tratada como o principal tipo de biomassa
energética, base para todo o agronegócio sucroalcooleiro,
representado por 350 indústrias de açúcar e álcool e 1.000.000 de
empregos diretos e indiretos em todo o Brasil.
Com o caldo extraído, através de moendas, pode-se produzir garapa,
pinga, açúcar, rapadura, álcool combustível para tratores, álcool de
cozinha, vinhoto e bagaço.
Atualmente, usa-se o bagaço da cana como combustível para a geração
de energia elétrica em turbinas a vapor.
Recentemente, com a entrada em vigor do Protocolo de Quioto, a cana
de açúcar recebeu outro atrativo, por apresentar características
peculiares quanto a captura de carbono. Alguns estudos vêem sendo
desenvolvidos na Unifei afim de dimensionar o percentual de captura
da cana.
Álcool: No Brasil, o uso do álcool teve início em 1975 com a criação
pelo governo federal do Pro álcool, programa de incentivo a
plantação e exploração controlada da cana-de-açúcar. A iniciativa
surgiu das conseqüências enfrentadas pelo Brasil após a Crise do
Petróleo ocorrida em 1973, quando os países produtores como Iraque, Kwait, Irã e Arábia Saudita super valorizaram o preço de compra do
petróleo, ou seja, aumentaram muito seu valor impedindo, desta
forma, que muitos países pudessem importa-lo. Com isso, o Brasil
viu-se forçado a iniciar diversos trabalhos de pesquisa sobre fontes
alternativas de energia, tanto que desde 1978, o álcool vem sendo
utilizado como combustível para motores.
É válido ressaltar que no início do Pro álcool houve uma mistura de
álcool, na gasolina diminuindo a qualidade do combustível e
ocasionando, na maioria dos casos, danos do tipo corrosão acentuada
em algumas peças do motor como, por exemplo, tanque de combustível,
carburadores e escapamento.
Para sanar os problemas relativos ao desgaste de componentes por
corrosão, a indústria automobilística procura ofertar ao mercado
veículos a álcool tão eficientes quanto os veículos movidos a
gasolina, além da vantagem de serem menos poluidores pelo fato de
emitirem menos gás carbônico.
O álcool torna-se, pois, um importante agente para a diminuição da
poluição atmosférica se comparado com outros produtos combustíveis
derivados do petróleo.
Atualmente encontra-se em fase de estudo a aplicação do etanol como
fonte de combustível para as células de combustível. O Japão, país
defensor desta tecnologia, procurou o Brasil recentemente para
definição de um acordo bilateral sobre a aplicação do álcool nas
células de combustível.
Pro álcool: O Pro álcool, Programa Nacional do Álcool, é o maior
programa comercial de utilização de biomassa para produção de
energia no mundo. Representou a iniciativa de maior sucesso mundial,
na substituição de derivados de petróleo no setor automotivo,
mediante o uso do álcool como combustível único nos veículos movidos
à álcool hidratado. Ainda hoje há cerca de 4 milhões de veículos que
utilizam exclusivamente este derivado da cana como combustível,
representando 40% da frota nacional. E não se deve esquecer o
importante papel desempenhado na solução do problema da octanagem da
gasolina, substituindo o chumbo tetraetila, altamente prejudicial à
saúde humana, na mistura gasolina - álcool (gasohol), hoje aceita e
usada em praticamente todo o mundo.
Em 1975, numa tentativa de amenizar o problema energético, o Pro
álcool foi criado pelo governo brasileiro com o objetivo de reduzir
a importação de petróleo. Naquela época, o mundo vivia o primeiro
choque do petróleo. O Brasil comprava 80% do petróleo consumido e
com a alta de preços entre 1973 e 1974, o país teve que enfrentar o
crescimento da importação que passou de US$ 600 milhões para mais de
US$ 22 bilhões. O Programa viabilizou a continuidade do
abastecimento de combustíveis automotivos baseados no uso da
biomassa, através do incentivo à produção de álcool nas unidades
açucareiras e destilarias independentes, e do financiamento ao
desenvolvimento de motores apropriados pela indústria
automobilística, e de uma extensa rede de distribuição do
combustível.
Posteriormente, a baixa dos preços do petróleo, tornou o álcool
pouco competitivo, exigindo subsídios para a manutenção do programa.
Nos últimos 3 anos a política de eliminação de subsídios, provocou
uma certa desorganização que vem sendo vivida e discutida , à
procura de um novo equilíbrio entre os diversos atores da cena
energética nacional. Atualmente, é baixa a produção de veículos
novos a álcool, mas a recente elevação dos preços internacionais do
petróleo cria perspectivas promissoras para o álcool combustível.
Mais ainda porque o álcool tem tido seu reconhecimento na comunidade
internacional como uma das possíveis soluções aos problemas
ambientais destacando-se como um dos melhores candidatos a ser
apoiados com políticas de financiamento (Mecanismos de
Desenvolvimento Limpo - MDL), segundo o estabelecido no Protocolo de
Quioto.
Atualmente o Brasil enfrenta uma retomada dos automóveis a álcool,
com a criação do carros "bicombustíveis", conhecidos "Flex". A
experiência vem se mostrando bastante produtiva a frota de veículos
"bicombustivel" apresenta taxas de crescimento significantes.
Cogeração no setor sucroalcooleiro: Desde a sua implantação em maior
escala a partir da metade do século XX, as indústrias do setor
sucroalcooleiro desenvolveram instalações próprias de geração
elétrica, seja através de pequenos aproveitamentos hidrelétricos,
óleo diesel, e depois face à indisponibilidade de energia elétrica e
aos seus custos, adotaram-se sistemas de geração, em processo de cogeração, ajustados às necessidades do processamento industrial da
cana de açúcar, utilizando o bagaço.
Mas como a quantidade do bagaço produzida é muito elevada
(aproximadamente 30% da cana moída), existe um grande potencial para
geração de eletricidade para venda comercial.
De acordo com vários estudos realizados, o potencial de geração de
eletricidade a partir de bagaço de cana no Brasil está estimado em
aproximadamente 4.000 MW com tecnologias comercialmente disponíveis.
As alterações nas regras do mercado de energia elétrica, estão
criando melhores condições para a oferta de energia por produtores
independentes, podendo ser atrativas para o setor sucroalcooleiro,
que vem experimentando mudanças e acompanhando pouco a pouco o
desenvolvimento tecnológico, para aumentar sua produção de
eletricidade.
Resíduos rurais: Os resíduos rurais incluem todos os tipos de
resíduos gerados pelas atividades produtivas nas zonas rurais, quais
sejam: os resíduos agrícolas, florestais e pecuários. Os resíduos
agrícolas são aqueles produzidos no campo, resultantes das
atividades de colheita.
A quantificação dos resíduos rurais é feita com base nos "índices de
colheita", que expressam a relação percentual entre a quantidade
total de biomassa gerada por hectare plantado de uma determinada
cultura e a quantidade de produto economicamente aproveitável.
Grande parte dos resíduos agrícolas são deixados no próprio terreno
de cultivo, servindo como proteção ao solo ou como adubo fornecedor
de nutriente ao solo.
São considerados resíduos florestais, aqueles gerados e deixados na
floresta como resultado das atividades de extração da madeira.
Infere-se que cerca de 20% da massa de uma árvore são deixados na
floresta. Estima-se que existe um potencial grande de aproveitamento
energético de resíduos florestais no Brasil, uma vez que as
atividades extrativas da madeira tanto para a produção de carvão
quanto para o uso não energético, desenvolvem-se de forma intensiva
de Norte ao Sul do País.
Os resíduos da pecuária são constituídos por estercos e outros
produtos resultantes da atividade biológica do gado bovino, suíno,
caprino e outros, cuja relevância local justifica seu aproveitamento
energético. Este tipo de resíduo é importante matéria-prima para a
produção de biogás, que pode ter um papel relevante no suprimento
energético, principalmente para a cocção nas zonas rurais.
Resíduos urbanos: Vivemos numa sociedade que estimula o consumo e a
produção em grande escala. A filosofia do descartável e do excesso
de embalagens predomina em diversos setores do mercado o que
significa diretamente mais rejeitos. Em 1995, o Brasil produzia
241.614 toneladas de lixo por dia, e 76% ficava exposto a céu aberto
em lixões (IPT / CEMPRE). Segundo uma empresa de limpeza pública de
atuação nacional, há um crescimento em torno de 5% ao ano na
quantidade de lixo gerado. Grande parte do lixo ainda não é coletado
permanecendo junto às residências. A produção de lixo "per capita"
hoje gira em torno de 600g por habitante/dia e há poucos aterros
sanitários ou aterros controlados no Brasil. Em São Paulo, por
exemplo, estima-se que cada habitante produz 1 kg de lixo por dia.
Este valor tende a crescer, tornando a problemática do lixo
inexorável e irreversível, elegitimando a necessidade de
alternativas eficazes e efetivas.
Problemas sérios causados pela precária disposição final do lixo são
a disseminação de doenças, a contaminação do solo e de águas
subterrâneas pelo chorume, a poluição pelo gás metano (gerado na
decomposição da matéria orgânica presente no lixo), a falta de
espaço para o armazenamento, entre outros. O teor de matéria
orgânica (C, H, O, N ) do lixo brasileiro é de 60% conferindo-lhe
bom potencial energético. O Poder Calorífico Inferior (PCI) médio do
resíduo domiciliar é de 1.300 kcal/kg (5,44 MJ/kg). De acordo com a
tecnologia empregada e com a composição físico-química dos resíduos,
estima-se a produção de 0,035 MW/tonelada de lixo, através de
incineração.
A recuperação de energia a partir do lixo tem duas grandes
vertentes:
1. A recuperação do gás metano para geração de energia (a
decomposição anaeróbica pode gerar 350 a 500 m3 de gás metano por
tonelada de lixo brasileiro), com investimentos em aterros
controlados, que pode ser complementada pela coleta seletiva ou
triagem pós-coleta visando a reciclagem e a diminuição do volume a
ser aterrado.
2. Incineração do lixo visando a sua redução, com recuperação de
energia.
Resíduos industriais: São assim considerados os resíduos
provenientes do beneficiamento de produtos agrícolas e florestais e
os resíduos do uso de carvão vegetal no setor siderúrgico de
ferro-gusa e aço, o gás de alto-forno a carvão vegetal.
As indústrias madeireira, serrarias e mobiliário, produzem resíduos
a partir do beneficiamento de toras. Os tipos de resíduos produzidos
são casca, cavaco, costaneira, pó de serra, maravalha e aparas. As
indústrias de alimentos e bebidas produzem resíduos no fabrico de
sucos e aguardente (laranja, caju, abacaxi, cana de açúcar, etc), no
beneficiamento de arroz, café, trigo, milho (sabugo e palha),
amendoim, castanha-de-caju, etc.
No setor de papel e celulose existem indústrias de papel e
indústrias de celulose, e também indústrias integradas, ou seja, que
produzem papel e celulose. Haverá nestes casos diferenças nos tipos
de resíduos produzidos, porém, em linhas gerais este setor produz
como resíduos: casca, cavaco e lixívia. Existem 220 companhias no
Brasil com unidades industriais localizadas em 16 estados,
utilizando madeira de reflorestamento, das espécies eucalipto (62%)
e pinus (36%)
O setor siderúrgico a carvão vegetal também possui unidades de
ferro-gusa e de aço, e unidades integradas, que produzem ferro-gusa
e aço. O ferro-gusa é um produto intermediário para a produção do
aço, e importante produto de exportação. O gás de alto-forno é
produzido durante a reação do carbono do carvão vegetal com o ferro
do minério de ferro, e reinjetado no processo, possibilitando o
reaproveitamento do calor. A siderurgia a carvão vegetal é
responsável por cerca de 30% da produção siderúrgica brasileira e
está concentrada principalmente no Estado de Minas Gerais, com
algumas unidades no Espírito Santo, Maranhão, Pará, Pernambuco, Rio
Grande do Norte e Mato Grosso do Sul.
3. Referência Bibliográfica
Nogueira, Luiz Augusto Horta & Lora, Electo, Dendroenergia:
fundamentos e aplicações
DÉFÈCHE, J., Os resíduos urbanos: um combustível – Como queima-lo e
recuperar a sua energia, revista “Energia – Fontes Alternativas”,
vol. VI
Site: www.aneel.gov.br