Artigos Técnicos
Energia Alternativa
Segunda-feira, 22 de Agosto de 2011
Eletrificação Rural em Santarém: Contribuição das Micro Centrais Hidrelétricas
Rudi Henri Van Els / Janaina Deane de Abreu Sá Diniz / Josiane do Socorro / Aguiar de Souza / Antonio Cesar Pinho Brasil Junior / Antonio Nazareno Almada de Sousa / Jaemir Grasiel Kroetz
Referência
Artigo técnico presente na Revista PCH Notícias & SHP NEWS - Número 49.
Resumo
O município de Santarém, situado na Mesorregião do Baixo Amazonas, é o centro polarizador da Região Oeste do Pará com uma população de 274.285 habitantes, dos quais 31.633 vivem na zona rural e somente 1.060 consumidores rurais têm acesso ao serviço de energia elétrica da concessionária. A incipiente cobertura de energia elétrica fez com que a população local procurasse alternativas para o atendimento de fornecimento de energia elétrica para as comunidades rurais, e encontrou no aproveitamento do potencial hidráulico dos muitos rios com cachoeiras e corredeiras para a instalação de pico e micro centrais hidrelétricas. Nesse contexto, foram instaladas desde 2001, 44 pico centrais e 12 micro centrais hidrelétricas nos municípios de Santarém, Belterra e Uruará por empreendedores locais e por algumas comunidades a fim de atender à demanda local de eletricidade, fornecendo energia elétrica para aproximadamente 580 famílias, com uma capacidade instalada de mais de 700 kVA . A consolidação da opção dessa tecnologia fez com que a Superintendência Regional do Instituto de Colonização e Reforma Agrária e a Prefeitura de Santarém elaborassem um projeto com o objetivo de atender os assentamentos de reforma agrária na região, resultando na instalação de 6 micro centrais hidrelétricas (MCH’s), com uma capacidade total instalada de 820 kVA e uma rede de distribuição de 252 km para beneficiar 1.630 famílias nos Projetos de Assentamentos de Moju e Corta Corda. O objetivo deste artigo é apresentar as MCH’s instaladas na região e mostrar a contribuição dessas unidades para a eletrificação rural dos assentamentos rurais no município de Santarém. Além disso, o artigo discutirá o modelo de gestão desses empreendimentos. A metodologia consistiu na sistematização dos dados de implementação dos projetos da empresa fabricante das unidades, do INCRA e do poder municipal. As informações foram obtidas de material bibliográfico oficial, disponibilizado pelos próprios atores locais, e complementadas com levantamento de campo nos diferentes locais de instalação dos equipamentos, onde também foram realizadas entrevistas e observações junto aos moradores locais. Apesar de já estarem funcionando, os empreendimentos ainda não foram registrados na base de dados de geração do setor elétrico. O modelo de gestão proposto para a operacionalização do empreendimento foi o da gestão coletiva, onde a gestão do sistema deveria ser feita pela própria comunidade. Entretanto, por enquanto, a manutenção do sistema é coordenada pela prefeitura, pois ainda não foram criados os meios para se implementar esta gestão comunitária. A eletrificação rural por meio de MCH’s mostrou-se uma solução viável para atender comunidades rurais no município de Santarém. A solução para garantir o êxito do sistema deve passar pela organização da comunidade em cooperativas de eletrificação rural para incluir os empreendimentos no setor elétrico, adequando, assim, as instalações às normas do setor elétrico e consolidando o modelo de gestão. Palavras-chave: micro turbinas hidrelétricas, turbina Indalma, Amazônia.
















